Review: Duke Pearson – “Profile”
1959 – Blue Note
Gênero: Jazz – Hard Bop
Avaliação: ••••1/2
Columbus Calvin Pearson Jr., mais conhecido como Duke Pearson, foi um dos pianistas mais influentes e importantes da geração hard bop. Foi também um dos responsáveis por dar forma ao selo Blue Note nos anos 60.
Nascido em Atlanta, no estado da Georgia, Pearson já estudava instrumentos de sopro aos cinco anos, mas devido à problemas dentários foi forçado a procurar outro instrumento, e então começou a aprender piano. Seu talento era, além de precoce, nítido, o que fez com que seu tio o desse o apelido de Duke, em referência à Duke Ellington.
Começou a ganhar notoriedade no final dos anos 50 em New York, quando Donald Byrd convocou-o para tocar em sua banda. Logo Pearson estaria tocando com alguns dos melhores músicos da época e gravando pela Blue Note, que teve papel essencial em sua vida.
Com Byrd, gravou diversos álbuns, compondo temas e criando arranjos. Em um deles, “A New Pespective” de 1963, há uma das mais famosas músicas de Pearson: “Cristo Redentor”, tema composto em uma visita ao Rio de Janeiro. Aliás, o Brasil e a música brasileira foram grandes influências no som de Duke. E vice-versa. Mas isso é assunto para outro post.
Outro parceiro constante de Pearson foi o guitarrista Grant Green. A música-tema do álbum de Green “Idle Moments” (veja aqui no Jazzin’ Time) é também uma composição de Duke. Outra faixa dele que virou hit foi “Jeanine”, gravada por Julian ‘Cannonball’ Adderley no disco “Them Dirty Blues”, e que depois virou standard, sendo gravada por diversos artistas.
Na verdade, a contribuição de Pearson ao jazz vai muito além disso. Em 1963, Duke foi contratado pela Blue Note para substituir Ike Quebec (que faleceu no dia 16 de janeiro daquele ano) no cargo de A&R. Nesse período, ele criou arranjos e foi produtor de inúmeros álbuns de uma série de artistas da Blue Note. E paralelamente à isso, gravava seus próprios álbuns como líder.
Este “Profile” é justamente o primeiro disco de Pearson como líder. Por se tratar de um trio (com Gene Taylor no baixo e Lex Humphries na bateria), todas as características de seu som estão abundantes e livres. Lirísmo, dinâmica, sofisticação e suavidade transbordam de faixas como “Like Someone In Love” e “Taboo”. Até os blues, como o ótimo “Gate City Blues” (de sua autoria), soam refinados nas mãos de Duke.
Curiosamente, a maravilhosa “Black Coffee” não é uma composição dele. Porém, Pearson interpreta esse tema de Burke e Webster com maestria.
Assim como esse é o primeiro álbum de Pearson como líder, será o primeiro de muitos dele aqui no Jazzin’ Time.
Faixas:
1. Like Someone In Love
2. Black Coffee
3. Taboo
4. I’m Glad There Is You
5. Gate City Blues
6. Two Mile Run
7. Witchcraft
Ouça o álbum Profile.